Parar de fumar: aos poucos ou de uma só vez?

     

 

 

 

 

 

 

 

Muitas mulheres são fumantes e gostariam de abandonar o vício. Avaliar dois tipos de estratégias para parar de fumar (aos poucos ou de uma só vez) foi o objetivo desta revisão da Fundação Cochrane  

Na sua opinião, o que é melhor: parar de fumar aos poucos ou de uma só vez? 

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          Tabagismo é um problema muito série de saúde mundial. Para 2030, são esperadas 8 milhões de mortes em decorrência do tabagismo em todo o mundo, sendo que 80% dessas mortes ocorrerão em países em desenvolvimento, segundo a OMS. O tabagismo será considerado a principal causa de morte precoce nesses países. O Brasil está no estágio intermediário da epidemia do tabagismo e segue a tendência de outros países em desenvolvimento, onde o declínio é maior entre os homens. Felizmente, dados mostram uma queda importante no tabagismo no nosso país nas últimas décadas. Entre 1989 e 2003 esta queda foi estimada entre 33,1 e 43,3% nos homens e 27%, nas mulheres. Não é o ideal, mas já é uma vitória, fruto de diversas ações de controle do tabagismo que incluem medidas educativas, preventivas e regulatórias. Nesta altura muitos podem estar pensando qual é a melhor estratégia para parar de fumar: se  determinar um dia para simplesmente parar de fumar ou ir parando aos poucos.

          A primeira opção, parar abruptamente, nem sempre dá certo como atestam muitos fumantes, homens e mulheres. Mas será que a outra estratégia, parar aos poucos, funciona?. Para esclarecer esta questão, pesquisadores da Fundação Cochrane procuraram comparar as duas intervenções, por meio da análise conjunta de diversos estudos afins publicados até 2012. 10 estudos foram incluídos, perfazendo um total de 3760 participantes. Todos estudos tinham em comum a participação de adultos que estavam tentando parar de fumar e que foram alocados aleatoriamente para um tipo e tratamento que podia ser com uso de medicação, suporte comportamental ou terapia de auto-ajuda, ou até mesmo combinação de .estratégias.Vamos então diretamente ao final da história: nenhuma estratégia, parar imediatamente ou aos poucos, obteve melhor taxa de abstinência ao tabaco. Ou seja, elas foram similares. Mesmo quando o tratamento incluía uso de medicações contra o hábito de fumar. Pelo menos, os pesquisadores também não observaram diferenças significativas de efeitos adversos das diferentes modalidades de tratamento. O que no caso do uso de drogas já é algo muito importante. Pelo contrário, eles destacam que estudos mais recentes não evidenciam efeitos adversos das terapias de substituição da nicotina, o que possibilita a manutenção deste recurso em novas pesquisas.

          Finalmente, são as novas e futuras pesquisas que vão esclarecer o que é melhor, ou mais efetivo, para quem quer ser ex-fumante, mas ainda não chegou lá. Por enquanto, para quem segue tentando largar o vício do cigarro é uma questão de escolha: parar de uma só vez, ou aos poucos. Mas eu, que não sou fumante, fico imaginado como deve ser complicado dar uma tragadinha, de leve, enquanto se vai parando de fumar. (Lindson-Hawley et al. Reduction versus abrupt cessation in smokers who want to quit. Cochrane Database Syst Rev. 2012)

 

Fonte: http://dralexandrefaisal.blog.uol.com.br/arch2013-02-24_2013-03-02.html#2013_02-26_16_02_45-134743630-0

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